A Doninha é um animal de pequeno porte, patas curtas e corpo alongado e bastante ágil, próprio para entrar nas tocas de roedores. Em países de clima mais frio, a doninha, assim como o seu parente arminho, fica com a pelagem totalmente branca durante o Inverno para se camuflar na neve. Na primavera volta à sua cor normal. A Doninha pode ser encontrada na Europa, incluindo Portugal, com uma distribuição uniforme de norte a sul do país.
Ischnura graellsii, Pyrrhosoma nymphula
Ischnura graellsii (fêmea)
Pyrrhosoma nymphula (fêmea)
A semana passada eram duas ou três, esta semana eram mais de meia dúzia.
Fotogafada
em Março 2015,
Ischnura graellsii,
Pyrrhosoma nymphula
Ilustração Científica
Depois de um pedido da amiga Manuela do "Voz de Berço", publico estas duas ilustrações das borboletas Inachis io e Vanessa virginiensis, neste blog já referenciadas. Estas borboletas são algumas das preciosidades que ocorrem no nosso território e que podem ser vistas ocasionalmente no Parque de Avioso.
As primeiras libélulas da temporada no parque
Fotogafada
em Março 2015,
Ischnura graellsii,
Pyrrhosoma nymphula
Pyrgus malvae malvoides
O Pyrgus malvae malvoides é uma borboleta da família Hesperiidae. Não se encontra ameaçada, aparecendo em Portugal, muito dispersa e relativamente frequente, de Abril a Setembro em terrenos com muita humidade, localizados perto de ribeiros e regatos.
Fotogafada
em Setembro 2013,
Pyrgus malvae malvoides
Libellula depressa
A envergadura desta espécie é de cerca de 70 mlímetros. O macho é de cor azul pálido enquanto que a fêmea tem o abdomen de cor de mel escuro, excepto nos lados que são amarelos. Vivem principalmente em águas tranquilas como lagos, tanques ou rios de corrente muito lenta e com vegetação nas margens. Os adulto são activos de Maio a Setembro. Voam muito depressa sobre a água em busca de presas e outras libélulas rivais. Têm como característica regressarem ao mesmo pau ou folha quando repousam para se aquecerem.
Louva-a-deus / Mantis religiosa
O Louva-a-deus é um insecto da ordem dos Mantodea. Há cerca de 2400 espécies de louva-a-deus na sua maioria em ambiente tropical. O seu nome deriva do facto de que, quando está pousado, o insecto lembra uma pessoa orando. São predadores agressivos que caçam principalmente moscas e afídios. A caça é feita em geral de emboscada, facilitada pela capacidade de camuflagem do louva-a-deus. São um factor muito importante no controlo de pragas de jardim pelo que são muito bem vindos pelos amantes de jardinagem e agricultura biológica não sendo necessário o uso de pesticidas.
O louva-a-deus são insectos relactivamente grandes, de cabeça triangular, tórax estreito e abdómen bem desenvolvido. O ritual de acasalamento , que decorre por volta do Outono, é uma época de perigo para os machos uma vez que a fêmea muitas vezes acaba por os matar e comer. Depois do facto consumado a fêmea põe entre 10 a 400 ovos numa cápsula endurecida que deposita no chão ou enrolada numa folha.
Fotogafada
Louva-a-deus,
Mantis religiosa,
Setembro 2014
Ochlodes sylvanus
Podem ser encontrados em prados com gramíneas, na orla dos bosques, mas tendem a preferir locais húmidos com bastante sol, como clareiras de florestas, charnecas húmidas e ribeiras. Normalmente emergente em meados de Junho estando presente até Agosto. Um pequeno número de indivíduos podem emergir mais tarde, durante Julho. São atraídos por flores das silvas onde repousam frequentemente nas suas folhas.
Orthetrum coerulescens
Macho
Fêmea
Imaturo
Comum na região do Mediterrâneo mas mais localizada no centro e norte da Europa. Tem por habitat áreas com água corrente em valas e quando localizada mais a norte, em regiões pantanosas. A temporada de voo situa-se entre Abril e Novembro mas é mais abundante de Junho a Agosto. De notar que o imaturo é notavelmente mais escuro que a fêmea.
Ischnura graellsii
Abundante e difundida dentro da faixa ocidental do mediterrâneo, podendo ser observada entre meados de Abril e meados de Outubro. Habita todo o tipo de águas correntes e paradas. Pode-se encontrar duas gerações por ano no norte e até quatro, no sul.
Calopteriyx haemorrhoidalis
Fêmea
É uma espécie de libelinha que é encontrada no sul da Europa. Encontra-se frequentemente ao longo dos rios em águas límpidas e ricas em oxigénio. O abdómen do macho mostra uma cor carmim distintiva. Voa de Maio a Setembro.
Domingos no Parque
A rã-verde (Rana perezi) com vida predominantemente aquática e coloração em geral esverdeada, daí o seu nome comum, depende de água doce e ocorrem numa vasta gama de habitats, desde ambientes húmidos nas regiões temperadas, temperadas frias, a oásis em desertos. Em maio, a rã põe uma massa de ovos que se juntam em blocos e que em contacto com a água se tornam gelatinosos. Depois da fecundação, cada um contém uma pequena pinta preta, o embrião. Depois transformam-se numa larva com cauda e sem pernas, o girino e ao fim do primeiro mês de vida, o girino respira por brânquias, como um peixe. Depois as pernas crescem, fecha-se a cavidade branquial, os pulmões desenvolvem-se e o girino pode respirar fora da água. Após uma série de metamorfoses, que duram três meses, transforma-se em rã.
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| (Fotografada em Couce-Valongo) |
A Anax imperator é uma libélula comum e distinta de origem africana a qual colonizou recentemente grande parte do norte da Europa. Os machos são facilmente reconhecíveis pelo hábito de patrulhar o território, de tórax verde e abdómen azul com uma risca preta a meio do dorso. As fêmeas, como nas fotos em anexo, põem ovos, na maior parte das vezes, a flutuar na vegetação estando, portanto, muito expostas e facilmente visíveis. Os ovos são colocados seguros numa planta na interface água-ar. Ocorrem em zonas húmidas, lagoas, charcos, em cursos de água permanentes e de corrente lenta. Podemos vê-las de Março a Outubro, desde o nível do mar até aos 1800 metros.

A Sympetrum sanguineum, que na foto é uma fêmea, é uma libélula familiar em muitas zonas. Pode ser observada em princípios de Abril e Maio no norte de África e no norte da Europa em princípios de Junho sendo muito abundante em Agosto. Prefere água quieta que apresente vegetação semi-aquática, como juncos e caniços.
A Leptotes pirithous, também chamada de cinzentinha, distingue-se pela cor nas asas violetas, com bordos marginais escuros. As suas larvas alimentam-se principalmente de leguminosas, como a Luzerna e os Tojos. Prefere terrenos incultos e expostos ao Sol. Alimenta-se predominantemente de néctar de silvas (Rubus fruticosus), tervo (Trifolium pratense), ajuga (Ajuga reptans) e ranúnculus (Ranunculus spp.).
Crocothemis erythraea
Macho
Comum e muito difundida em toda a África, Ásia ocidental e sul da Europa, é ainda muito localizada no mediterrâneo. Devido à robustez e agressividade do macho de cor vermelha, a sua observação está a aumentar a norte da Europa. Em Portugal encontra-se bem distribuída. Ocorre em ecossistemas de água parada ou com pouca corrente como ribeiros e ambientes com elevadas concentrações de sal.
Domingos no Parque

A Primavera chegou num mosaico de cores de inconfundível beleza presente nas plantas, árvores e animais. Estes pequenos diários de Domingo serão exemplo disso, exemplo da biodiversidade que aos poucos iremos dar a conhecer com mais pormenor e descobrir um mundo de pequenos e grandes seres que estando tão perto de nós temos o dever de os conhecer e preservar.
Ao chegar a Primavera, a Vanessa atalanta emigra desde o
Mediterrâneo em direcção ao Centro e Norte da Europa. Alimentam-se de urtigas,
plantas comuns no nosso parque mas que urge manter os seus tufos em lugares
soalheiros, tão necessário para a sua sobrevivência e também de outras espécies.
Nas fotos podemos observá-la a sugar os minerais da terra com a sua
espiritromba (estrutura tubular, com a qual absorvem os líquidos nutritivos).
Mais uns metros à frente e
encontramos esta libélula chamada Coenagrion mercuriale, dispersa em Portugal mas algo localizada sendo considerada uma espécie
ameaçada com populações reduzidas e uma das poucas espécies protegidas em
Portugal. É, portanto, de suma importância protege-la neste pequeno habitat
junto ao pequeno curso de água onde se encontra e proteger a vegetação marginal,
essencial para a sua existência e sobrevivência.
Pyrrhosoma nymphula é uma das
libelinhas mais comuns em Portugal sendo uma das primeiras a aparecer nas
nossas latitudes. Aparece em águas correntes, oxigenadas e com bastante
vegetação e é neste habitat que se encontra aqui no parque.
Nesta curiosa foto vemos a fêmea
a colocar os ovos em tandem, esta
palavra é utilizada para descrever a posição deste tipo de acoplamento entre
macho e fêmea. As fêmeas depositam os ovos em plantas aquáticas, como na imagem
e durante o 1º ano as larvas vivem entre essas mesmas plantas.
PROJECTO CORRENTE RIO LEÇA - VIAGENS NO TEMPO
Por entre Pontes e Moinhos num percurso
pedestre ao longo do rio Leça
pedestre ao longo do rio Leça
Fomos gentilmente convidados pelo Artur Branco (Eng.º do Ambiente na Câmara Municipal da Maia) a participar numa caminhada num pequeno percurso ao longo do rio Leça, em Águas Santas, inserido no Projecto Corrente Rio Leça – Viagens no Tempo e conhecendo também um pouco sobre a história dos moinhos, na sua maioria do séc. XIX.
No dia 30 de
Novembro, num dia radioso de Sol e um frio de cortar a respiração, um punhado
de bravos foram descobrir um passado etnográfico e um património natural que
urge preservar e dar a conhecer.
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| Clicar nas imagens |
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| Alvéola-cinzenta |
Por entre pontes e lugares mágicos de árvores autóctones
conseguimos também vislumbrar algumas aves no nosso percurso. Com um olhar
perspicaz e atenção redobrada podemos descobrir a Alvéola-branca, mais comum
e conhecida popularmente como lavandisca, frequenta águas doces interiores
campos e jardins, assim como a Alvéola-cinzenta, menos comum mas também bela e elegante. É claro e aquelas mais comuns
mas não menos importantes como o Pardal, a Rola-turca, a Pega, o Melro, o Verdilhão,
o Chamariz, o Rabirruivo e o Pato-real.
Seguimos em frente tendo sempre como companhia as águas do
rio Leça, rio este que ajudou as terras da Maia a serem vistas como uma terra
fértil e mais tarde, com o evoluir dos tempos e das técnicas, uma terra que
soube aproveitar o relevo acidentado, os declives elevados e os vales fluviais,
fortemente encaixados, que favorecem o aumento da velocidade das águas do rio e
que foram factores fundamentais no aproveitamento hidráulico por parte dos
moinhos. Passamos pela ponte de Ardegães com moinhos ainda habitados.
Mais
uns metros e encontramos a chamada casa do Lage (nome do fundador da indústria
Milaneza, agora Cerealis), onde era feita a moagem de grão. Estes moinhos, de
características muito especiais, estão ligados por uma ponte sobre o rio Leça encontrando-se
no entanto num grande estado de degradação.
Ao longo do nosso percurso encontramos outras preciosidades, não tão imponentes, um pouco menos exuberantes mas de uma beleza tão particular que só a natureza nos pode oferecer. Os fungos dependem de outros seres vivos para se alimentarem. Quando se alimentam de matérias orgânicas mortas são chamados de fungos decompositores, como este cogumelo, cujo nome desconheço, mas que tem a aparência de uma delicada flor.
Ao longo do nosso percurso encontramos outras preciosidades, não tão imponentes, um pouco menos exuberantes mas de uma beleza tão particular que só a natureza nos pode oferecer. Os fungos dependem de outros seres vivos para se alimentarem. Quando se alimentam de matérias orgânicas mortas são chamados de fungos decompositores, como este cogumelo, cujo nome desconheço, mas que tem a aparência de uma delicada flor.
Mas outras há cuja exuberância de cores, formas e
características merecem toda a nossa atenção. Existem cerca de 20.000 espécies
de borboletas em todo o mundo mas a diversidade entre elas é magnífica com
padrões diferentes de cores e cada uma delas com diferentes formas de asas. Não é possível observar uma borboleta e descrever
aquilo que estamos a observar por palavras, é pura magia. No nosso percurso
encontramos esta linda borboleta, que se dá pelo nome de Almirante vermelho,
aquecendo-se ao Sol num belo dia de Outono.
Fomos desbravando caminho até fazermos uma pausa para um
saboroso café na Casa do Arco, um conjunto de moinhos e casas agrícolas dos
séculos XVIII e XIX, situado num lugar lindíssimo onde as pequenas cascatas nos
deslumbram com o constante sussurro por entres as pedras moldadas pela corrente
deste inquieto rio.
Pesquisando um pouco da história dos moinhos da Maia, “…nos finais do século XIX surgem os moinhos
num total de 61, sendo 58 moinhos de água, 1 de vento e 2 moinhos a vapor, num
total de 354 mós. A existência de tantas mós explica-se pela força do caudal do
rio Leça, pois há moinhos com dez, doze ou mesmo quinze pares de mós.” Os moinhos do rio Leça moíam não só para venda de farinha e troca de milho
por farinha para as padarias do próprio concelho, como para as do Porto, Foz,
etc.
Seguindo caminho por ruas de
Milheirós e junto às margens do rio, encontramos os Moinhos de Alvura e que,
tal como outrora, continuam a laborar.
Este é o
rodízio que faz girar a mó do moinho…
“O trabalho nos moinhos
era uma actividade muito trabalhosa e necessitava de muita atenção - fazer boa
farinha era uma arte – conhecer a farinha que fugia por entre os dedos era o
reconhecimento dessa arte.”
De
referir mais uma vez as aves que davam ares da sua graça à nossa passagem como a Garça-boeira e este nosso amigo o
Maçarico-das-rochas, que, curioso com a nossa presença decidiu posar para a
foto acreditando também no seu mimetismo.
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| Maçarico-das-rochas |
Obrigada
a todos pelo convívio e aos técnicos municipais que nos deram a conhecer a
etnografia, o património natural e a vivência das gentes que fizeram do
rio Leça e dos moinhos o seu ganha-pão ao longo das gerações.
E foi assim que estes bravos acabaram esta jornada, numa confraternização
salutar e com um manjar digno dos deuses. Agora com as forças restabelecidas
era tempo de nos fazer novamente a caminho em sentido contrário…estou a brincar…fomos
todos de rodinhas até ao ponto de partida e com a certeza de uma manhã muito
bem passada na companhia de todos os participantes.
Até à próxima!
Texto: Teresa Rocha
Fotogafada
em Novembro 2013,
Por entre Pontes e Moinhos
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